No meio do caminho
No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra.
Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra
(Essa poesia foi primeiramente publicada em 1928, na Revista de Antropafagia)
(Carlos Drummond de Andrade (Itabira, 31 de outubro de 1902 — Rio de Janeiro, 17 de agosto de 1987).
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3 comentários:
Hehehe, Maurício!!!
Fantástica lembrança!
Q venha(m) essa(s) maldita(s) pedra(s), hão de ser todas embicudadas p longe dos nossos caminhos!!!
Um abraço.
Há não só pedras, como tb há Pedros.
Embicudar-lhes-ão?
Depois da indagação, e, ainda, no tocante às pedras, lembrei-me de um texto que dizia que as pedras aparecem para todos, e a diferença está no que fazer com elas.
Há quem a use para fazer um muro. Outro, artista, para esculpir e adornar um ambiente. Um terceiro, maluco, para atacar a vidraça alheia. Há aqueles que tropeçam e, também, os que a fazem de escada.
Hehehehe, acho q não é necessário embicudar os Pedros, só as pedras.
Mas dá p usá-los p adornar os ambientes, jogar nas vidraças ou fazê-los de escada?
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