"O ESTRANGEIRO" de ALBERT CAMUS
(Editora Record)
"O ESTRANGEIRO escrito em 1957 é o mais pop(ular)dos livros do francês nascido na Argélia, Albert Camus. Tão pop que rendeu até música do grupo de rock inglês The Cure ("Killing an arab"). Tão popular porque, à parte ser a seca narrativa das desventuras de Mersault, condenado à morte por matar um árabe a troco de nada, é também a narrativa das desventuras de um homem do século XX. Uma espécie de autobiografia de todo mundo.
Mersault leva uma vida banal; recebe, indiferente, a notícia da morte da mãe no primeiro parágrafo do romance (primeiro parágrafo antológico, diga-se de passagem); comete o crime; é preso; julgado; tudo gratuito,sem sentido, apenas mais um homem arrastado pela correnteza da vida e da História.
Seu drama pode ser lido como o drama de qualquer homem do seu século, o homem que depara com o Absurdo, pomo central do pensamento camusiano.
Este homem - chamemo-lo como o autor, de Mersault - ao contrário de seus antepassados não encontra mais nem explicação nem consolo para o que acontece na sua vida. Tudo acontece à sua revelia e nada faz o menor sentido. Sua vida não é explicada por nenhuma fé, nenhuma religião, nenhuma ideologia, nem mesmo pela fé na ciência. Este homem não tem nada em que se amparar. O que pode ser visto como uma vantagem: este homem é livre, pode se fazer a si mesmo, sua vida está em aberto. Ele se depara, e se angustia, diante de sua própria Liberdade, outro ponto central não só do pensamento camusiano, como de toda a filosofia existencialista - na qual Jean-Paul Sartre é o outro expoente, um comunista à direita do anarquista metafísico Camus.
Compreende-se, portanto, que Absurdo e Liberdade são faces da mesma moeda. Quando Mersault descobre que um implica na outra, afinal encontra a paz. É a história dessa compreensão,desse encontro, que Camus nos propõe. Uma espécie um tantoperversa de livro de auto-ajuda."
(Texto de Arthur Dapieve, transcrito "das orelhas" do livro).
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