"A gente nunca pode esquecer a origem da gente"
De uma reportagem de Carmen Munari (Reuters) cobrindo a festa de confraternização de fim de ano do Presidente Lula com catadores de material reciclado e população de rua, realizada na terça-feira, 23/12/2008, na quadra do Sindicato dos Bancários em São Paulo, pincei e destaquei como título do presente artigo, uma frase do Senhor Presidente Luis Inácio Lula da Silva.
A frase, aparentemente, não poderia melhor representar o pensamento pessoal do Presidente Lula, do “meu presidente Lula”, do Presidente Lula que num passado recente foi, resumidamente, retirante, aluno do SENAI, torneiro mecânico, metalúrgico nas Indústrias Villares, sindicalista, preso político, co-fundador da CUT, co-fundador do Partido dos Trabalhadores, deputado federal constituinte, candidato derrotado a Presidência por três vezes e finalmente, com todo o mérito e apoio de grande parte dos trabalhadores do Brasil, inclusive o meu, eleito como nosso Presidente, o Presidente da Esperança!...
Daí pra frente, como aconteceria, aconteceu, acontece e acontecerá com qualquer outro Presidente, materializaram-se acertos e erros, erros e acertos.
Agora, sobre a tal frase destacada, “a gente nunca pode esquecer a origem da gente”, é necessário tecer algumas considerações adicionais.
A frase é de cunho pessoal, saudosista?
A frase é de cunho político eleitoreiro, dita para agradar aos companheiros e a imprensa, presentes?
A frase é da maior autoridade pública do país, preocupado de fato e de direito, em resolver as questões sociais populares?
A frase é um compromisso futuro para com seus antigos companheiros?
Como é que você faz a “leitura e interpretação” desta frase?
Como um simples exercício de imaginação, voltemos agora no tempo, às origens, para os dias em que o metalúrgico Lula ainda trabalhava nas Indústrias Villares.
Onde andará os antigos e contemporâneos companheiros de trabalho do torneiro mecânico Lula? Refiro-me àqueles que, não ingressando em sindicatos e/ou transformando-se políticos de carreira, tocaram a vida como cidadãos trabalhadores comuns e que, certamente aposentaram-se por tempo de serviço e/ou tempo de contribuição pelo RGPS – Regime Geral da Previdência Social. Como estarão eles? Encontrar-se-ão alegres e felizes com suas respectivas aposentadorias?
Sr, Presidente, para “matar as saudades daqueles tempos” e “nunca esquecer as origens” sugiro-lhe, respeitosamente, que oriente seus assessores para localizar alguns daqueles ex-companheiros contemporâneos, aqueles comuns, e receba-os informalmente para apreciar um bom churrasco de fim se semana. Dê atenção e converse particularmente com cada um deles.
Entre as lembranças e as conversas do passado, questione-os sobre seus “benefícios” da aposentadoria. Compare, em salários mínimos, quanto eles recebem atualmente com o número de salários que eles receberam por ocasião do primeiro “benefício”.
Questione-os sobre a vida, se ela está fácil, folgada, se eles trocam sempre de carro, se consomem muito, se viajam, se eles são aposentados felizes, se suas aposentadorias são mesmo, conforme o prometido em campanha eleitoral, “do estilo europeu”. Peça a um assessor que faça anotações, e depois, tabule, calcule, estude os dados, que meça os níveis de satisfação /insatisfação.
Com tais números em mãos, constate e analise os resultados. Tire conclusões. Faça sua reflexão.
Se o resultado desta pesquisa junto a seus respectivos companheiros aposentados pelo RGPS for positivo, faça um pronunciamento público, demonstre e convença-nos nacionalmente, toda a massa de aproximadamente 30 milhões de aposentados e pensionistas do RGPS, que somos apenas “chorões”. E também, prometo-lhe, desde então, serei o maior defensor das atuais leis previdenciárias vigentes.
“A gente nunca pode esquecer a origem da gente”, Sr. Presidente!...
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